Há quem ache que parentalidade positiva é falar baixinho, sorrir enquanto a criança faz uma performance dramática no corredor do supermercado e agradecer calmamente por ela ter decidido vestir o pijama… do cão.
Não.
A parentalidade positiva não é ausência de limites, é presença com propósito.
É ter paciência, mas não infinita.
E é tentar manter a calma enquanto pensas “por favor, alguém me tire deste filme”.
Há uns dias, o meu filho atirou o prato de massa ao chão.
E naquele segundo tive duas vontades muito humanas:
gritar ou fingir que não vi.
Escolhi respirar.
Não por serenidade, mas porque estava cansada de repetir o mesmo padrão.
Disse:
“Eu percebo que estás frustrado. Mas agora limpamos isto juntos.”
Ele bufou. Eu também. Mas limpámos.
E naquele pequeno desastre, houve respeito.
Não o tipo de respeito que se impõe, o que se constrói, mesmo entre suspiros.
Ser pai ou mãe consciente não é ser zen.
É tentar ser zen, falhar e mesmo assim não desistir.
É saber que há dias em que o “respira fundo” já não dá conta, e ainda assim escolher não descarregar tudo em cima da criança.
Não se trata de controlar o tom de voz, mas de perceber de onde ele vem.
Porque uma coisa é gritar porque perdemos o norte,
outra é levantar a voz para pôr um ponto final no caos.
(E sim, às vezes o ponto final é preciso.)
Durante muito tempo confundimos autoridade com rigidez e empatia com fraqueza.
Achámos que, se não formos duros, eles nunca vão aprender.
Mas é curioso como os miúdos aprendem tão bem quando dizemos as coisas com calma e firmeza e, mesmo assim, o “podes desligar a televisão?” continua a soar a ficção científica.