E nem é que tenha corrido mal, foi só… mais um dia. Mas dei por mim exausta, com a cabeça a mil, e uma sensação estranha de que não estive com eles em momento nenhum.
Não foi falta de vontade. Foi falta de espaço. Espaço mental, emocional, logístico (e de vez em quando, também de paciência, já agora).
Há dias em que parece que tudo à volta faz barulho: os miúdos, o telemóvel, o trabalho, as expectativas. Mas o pior ruído é o que fazemos a nós próprias, aquele diálogo interno constante de “devia ter feito melhor”, “não devia ter gritado” , “devia ser mais paciente”.
É esse ruído invisível que mais nos desgasta.
A verdade é que ser mãe hoje vem com uma banda sonora difícil de desligar.
Toda a gente tem opinião, regra, método e uma frase feita pronta para o teu cansaço.
E no meio de tanta informação, ficamos sem saber em quem acreditar.
Começamos a duvidar da nossa própria intuição, aquela que, no fundo, até costuma estar certa (mas raramente é ouvida, coitada).
Durante muito tempo achei que ser uma “boa mãe” era ter resposta para tudo. Agora percebo que é quase o contrário. É saber parar, respirar e admitir:
Hoje não correu bem, mas amanhã tento de novo.
E é nessa honestidade que há direção. Não nas estratégias perfeitas, nem nas casas arrumadas, nem nas vozes sempre calmas, até porque essas mães provavelmente são personagens fictícias.